quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A JP no Defesa de Espinho - 3/9/2009

Promessa ou Ameça?



Nos últimos meses, o país foi polvilhado de cartazes, grandes e pequenos, de propaganda política. De bustos austeros, a poses convictas, a frases-fortes, de tudo um pouco se vê.
E com o início da campanha para as eleições autárquicas, o seu número e diversidade cresce. Somos confrontados com verdadeiros tesouros: poses arrojadas de candidatos a Valongo, oeirenses que “votam na sua segurança”, candidaturas independentes a Marco de Canavezes que são um “todo o terreno”.

E também os espinhenses já vão vendo as fotografias dos seus candidatos autárquicos sendo espalhadas pelo concelho.
Um destes dias, regressado de férias e decidido a ir ver o mar de Espinho, deparei-me com um desses cartazes. Ostentava o busto do ainda presidente da Câmara Municipal de Espinho.
Um arrepio de frio percorreu o meu corpo em antecipação do que iria ver.

Ao lado do presidencial sorriso perfilava-se um conjunto de letras que ainda não me era perceptível. Assolava-me um misto de medo e de uma desagradável e ruborizante sensação de vergonha por disparate alheio, que nos leva quase que a querer esconder a cara atrás das mãos.
E então, tornou-se-me compreensível. “Consolidar o futuro”.
Uma cascata caleidoscópica de sentimentos, impressões e considerações abateu-se de imediato sobre mim. Consolidar o futuro? Que futuro? Um futuro feito à imagem e semelhança do actual paradigma de desenvolvimento de Espinho? Um futuro perpetuador do profundo estado de degradação em que Espinho se encontra? Mas afinal de contas, estão-nos a prometer alguma coisa, ou estamos a ser ameaçados?

A cidade está suja e degradada. Esquecem-se coisas de uma urbanidade tão rudimentar e tão auto-evidente como caixotes do lixo. O património arquitectónico de Espinho não é protegido e vai desaparecendo dia para dia. Anta cresce desregrada e feia. Paramos e Silvalde são votados a um militante apartamento do concelho, não se percebendo a importância estratégica destas freguesias, nem se conhecendo o seu potencial, tanto a nível natural, como cultural, como mesmo infra-estrutural.

Em geral, o concelho não é pensado. Fazem-se investimentos faraónicos como se não houvesse amanhã, nem gerações futuras que os têm que pagar, confundindo-se o conceito de interessante e útil. Ninguém põe em causa que José Mota tem obra feita. Todavia, não me coíbo de pôr em causa a utilidade e pertinência da obra de José Mota. Mais, o que está feito não é utilizado ou potenciado e a cidade não retira proveito desses investimentos. O que por cá se vai passando, aparece como radicais livres, desconexos, sem que por trás tenho qualquer tipo de lógica estruturante e sem que com isso tirem os espinhenses proveito.

Mas é inútil continuar em dissertações teóricas sobre o estado do concelho, porque o que se passa é suficientemente óbvio para todos os espinhenses. E quando José Mota fala em consolidação do futuro, em boa verdade não creio que nos esteja a ameaçar. Acredito plenamente que José Mota é bem intencionada. Mas não é isso que se discute...
José Mota é bem intencionado, acredito, mas, muito simplesmente, não nos serve. José Mota não tem um plano para Espinho. José Mota não soube governar Espinho. E Espinho é uma terra pior por ter sido governada por José Mota.

Não temos todos que saber fazer as mesmas coisas. José Mota saberá, certamente, fazer muitas coisas muito bem. Gerir uma Câmara, não é uma delas.
José Mota não nos ameaça. Singelamente, não sabe fazer melhor. Deve ser nossa responsabilidade entregar o governo da Câmara Municipal de Espinho a quem a saiba governar.
Pela minha parte, José Mota pode estar seguro de uma coisa: não votarei nele.

6 comentários:

  1. Pois têm toda a razão, o sr. José Mota confunde sistematicamente o ter com o ser. Acha que por ter muita obra é o dono de Espionho.
    Vamos mostra-lhe que está enganado.
    João Cálix

    ResponderEliminar
  2. Também não tenho duvidas que o sr. José Mota é bem intencionado, só que de boas intenções está o mundo cheio. Com o agravamento de que provavelmente não saberá para mais.
    Construir é fácil, difícil é ter ideias para explorar, para rentabilizar, mas já estaríamos a pedir muito ao bem intencionado sr. José Mota.
    João Cálix

    ResponderEliminar
  3. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

    ResponderEliminar
  4. Não me parece q c insultos consiga exprimir a minha opinião, fá-lo-ei da forma que sei. Seria ingrato rotular o sr.Jose Mota com incompetente. De facto há que realçar algms obras de caracter social,urbanistico e desportivo que desenvolveu, porém nada mais fez q a sua obrigação enquanto representante da cidade,é pago para zelar pls interesses da cidade. Durante 4/5 anos, dou-lhe os parabéns, foi cumprindo, porém (esta adversativa torna-se inevitável), perante o seu comportamento nos anos posteriores. Sr.Presidente enfraqueceu,fraqueja e afirma-se como detentor da cidade. Fazer prevalecer as vontades dos amigos, compinchas de lazer, família, etc,etc NÃO! Recomendo-lhe que tente perceber o significado de IMPARCILIDADE E ÉTICA!! Os cidadãos devem ser ouvidos e protegidos mas de forma imparcial e justa e não da mais conveniente porque impõe menos esforço de resolução . E porque infelizmente acredito que irá manter-se na sua poltrona por mais 4 anos, gostaria de dar-lhe algumas dicas, porque apesar de leiga na matéria, não corrompida pelos bastiadores políticos, acredito em princípios. Infelizmente há pessoas que não conseguem ver para além dos empregos que oferece na câmara, nos subsídios que oferece às pessoas hipoteticamente desfavorecidas mas que passam o dia em verdadeiro ócio em conversa constante nas ruas( de vassoura na mão mas estagnada),nas festinhas populares que faz no bairro.... e td o resto que toda a população conhece. A poplulação mais desfavorecida Sr.presidente, não deve ser encarada como uma estratégia para angariação de votos,porque eles só serão favorecidos a curto prazo, pois no futuro voltarão ao que eram; devem sim, ser encarados como uma parte da população que deve ser auxiliada e preparada para desenvolver e não ser "comprada". Se não continuasse constantemente a "travar" bons investimentos para a cidade, talvez pudesse ter sido um SENHOR nesta cidade. Com mais investidores, haveria consequentemente mais emprego,uma economia mais sustentável que poderia revitalizar o comércio,etc,etc e consequentemente de forma positiva,etc... Actualize p.f. a sua visão de crescimento, desenvolvimento, se não sabe mais, ponha fim à sua estadia, já chega. Em vez de lançar concursos com lugares já prometidos,dê oportunidade a pessoas válidas e competentes...esses deveriam ser os critérios, não as "cunhas".Da próxima vez que for passar férias ao Brasil, tire 2 dias para reflectir no que não fez, não deixa fazer e no que poderia ter feito....Tristemente as lágrimas que poderá derramar já nada lhe valerão, porque para mim e para muitos a sua imagem já não tem figura, tem descrédito.Pena tenho que me represente por mais 4 anos e que por mais 4 anos esta cidade vá girar em torno de lobbies e se torne, cada vez mais, numa cidade fantasmagórica, reflexo de uma política fantasmagórica.

    ResponderEliminar
  5. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

    ResponderEliminar
  6. Cara anónima,

    Chamou à atenção para dois pontos, de uma forma muito interessante.

    Em primeiro lugar fez referência à assistência social, descrevendo uma realidade que grassa no nosso país. De facto, o número de pessoas que vivem à conta de subsídios e apois públicos fraudulentos, é inacreditável. A comissão de fiscalização da atribuição do rendimento mínimo (não é exactamente este o seu nome) detectou que 25% dos rendimentos são fraudulentos.

    E aqui importa fazer uma apreciação doutrinal.
    Determinadas ideologias (ditas de esquerda, embora não concorde com a dicotomia esquerda/direita) vêem a pobreza como um estado existencial. Os subsídios servem para garantir a qualidade de vida possível aos cidadão nessa situação.

    O CDS tem uma perspectiva radicalmente diferente. A pobreza não é um estado existencial: é um momento de fragilidade económica. Pura e simplesmente, sem mais considerações teóricas, distantes da realidade.
    Como tal, os subsídios não são mecanismos de alimentação desta situação, mas, pelo contrário, são o incentivo necessário à emancipação do cidadão em causa. Não são um fim, são um meio.

    O segundo ponto que referiu reporta-se à corrupção camarária. Como deve imaginar, não me pronunciarei em concreto sobre este assunto. No entanto, posso lhe dizer que Espinho é o segundo concelho do país com maior taxa de empregados camarários. A Câmara Municipal de espinho tem mesmo muita gente a trabalhar para si. Gente a mais. E mal distribuída.

    ResponderEliminar